‘Rigidez doutrinal é desafio intransponível’

Mesa abertura - Encontro Nacional Comunicação

Rafael Alberto
Enviado especial a Aparecida (SP)

A implantação da Pastoral da Comunicação (Pascom) em todas as dioceses, prelazias, paróquias e comunidades do país ainda é “uma grande dificuldade da Igreja no Brasil”, afirmou irmã Elide Fogolari, assessora do Departamento de Comunicação Social da CNBB, durante a sessão de abertura do primeiro Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, ontem, dia 2, no auditório do Santuário Nacional, na Arquidiocese de Aparecida (SP).
Ter o organismo funcionando em todas as estruturas eclesiais do país até o ano 2000 foi uma das metas assumidas pelo episcopado brasileiro durante a Assembléia Geral da CNBB de 1997.
Em entrevista a O SÃO PAULO, irmã Elide ponderou que o maior empecilho para atingir a meta foi, e continua sendo, a questão financeira. A visão da religiosa não é, porém, negativa. “A Igreja no Brasil tem vontade de comunicar. Os bispos querem entrar na era da comunicação das massas, mas é muito difícil acompanhar os avanços tecnológicos e manter os profissionais, que são muito caros”.
Padre Manoel Oliveira Filho, coordenador da Pascom da Arquidiocese de São Salvador da Bahia (BA), tem uma opinião diferente. Para o religioso, a Igreja até tem os recursos necessários – e condições de mantê-los – para fazer uma comunicação eficiente, mas a rigidez doutrinal é incompatível com a dinâmica exigida pela atual cultura globalizada. “A grande dificuldade não é de recursos, não é de pessoal. A grande dificuldade é de linguagem”, disse.
“Existem aspectos da doutrina cristã que são inadequados à cultura contemporânea, e aí se cria um grande hiato na comunicação da Igreja. Nunca vai haver sintonia perfeita entre a mentalidade da Igreja e a mentalidade do mundo. Temos que ter serenidade para comunicar, porque existe, de fato, uma contradição instransponível que está no campo dos princípios”, explicou.

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