CNBB abre encontro nacional reafirmando dificuldades e desafios da comunicação
“A Igreja sabe o que falar, mas não sabe como falar”, concluiu dom Orani; agentes de Pascom discutem, até domingo, em Aparecida, meios para concretizar organismo em toda a Igreja no Brasil
Rafael Alberto
Enviado especial a Aparecida (SP)
A maior dificuldade da Igreja Católica em relação aos processos de comunicação continua sendo a inadequação da linguagem na transmissão da mensagem do Evangelho. Esta é a constatação que o arcebispo de Belém do Pará, dom Orani João Tempesta, presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fez ao abrir, ontem, dia 2, na Arquidiocese de Aparecida (SP), o primeiro Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação.
Dom Orani lembrou que durante muito tempo a Igreja esteve distante da comunicação. A partir do Concílio Vaticano 2, porém, a mentalidade mudou e ela passou a se preocupar em acompanhar as transformações decorrentes da modernidade, utilizando-se dos meios de comunicação em maior escala. “Com o Decreto ‘Inter Mirifica’ [o primeiro do Concílio Vaticano], aparece uma Igreja que não tem medo da sociedade moderna, da cidade grande que a interpela por evangelização, e nem dos meios de comunicação”, ressaltou.
Mesmo assim, concluiu dom Orani, a Igreja ainda não consegue transmitir a beleza, novidade e alegria da mensagem que é depositária. “A Igreja sabe o que falar, mas não sabe como falar”, concluiu o arcebispo, para quem “o bem da pessoa humana é o que temos de mais precioso para comunicar, mas não conseguimos porque são muitas as vozes contrárias”.
O Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, que acontece na capital da fé do Brasil até domingo, dia 6, foi solicitado pelos agentes de Pascom durante o encerramento do Mutirão de Comunicação realizado em Belém do Pará em julho do ano passado.
Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida (SP) e presidente do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe (Celam), acolheu os participantes, na noite de ontem, ressaltando a importância dos meios de comunicação para os novos trabalhos pastorais e para a própria missão evangelizadora da Igreja.
Como está sendo realizado no mesmo auditório que acolheu, em maio do ano passado, a Conferência de Aparecida, o encontro pode inspirar-se e influenciar-se pelo espírito de renovação que marcou a assembléia do episcopado latino-americano e caribenho.
“Vamos rezar, refletir e programar a Pastoral da Comunicação da Igreja no Brasil, para que ela se concretize em todas as nossas estruturas”, afirmou irmã Elide Fogolari, assessora do Departamento de Comunicação Social da CNBB. “Eu estou certa de que a proteção de Nossa Senhora fará avançar nossos esforços de progredir os processos comunicacionais da Igreja”, afirmou a religiosa à nossa equipe.
Hoje, os participantes debatem sobre TV digital e políticas de comunicação para a Igreja. No fim da tarde, visitam as estruturas dos meios de comunicação do Santuário de Aparecida.
A sessão de abertura teve ainda apresentação musical do grupo Pemsa (Projeto de Educação Musical do Santuário), vinculado à Casa do Pequeno Trabalhador, instituição de inclusão social do Santuário de Aparecida, que prestou homenagem aos 50 anos da ‘bossa nova’, interpretando músicas de autores nacionais, como Vinícius de Morais e Tom Jobim.
Colaboração: Elvira Freitas